Além de uma ameaça de morte (que não se concretizou, felizmente) por um político em São Vicente (não revelo seu nome, porque ele já não está mais entre nós), quando era repórter da Sucursal de A Tribuna (jornal centenário de Santos) passei por perigosos momentos na minha carreira, iniciada em outubro de 1969 antes de concluir a faculdade (meu curso começou como Curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santos e terminou como Faculdade de Comunicação, cuja primeira turma me formei, em 1973).
Depois da ameaça, dois acidentes marcaram minha passagem como repórter, já atuando na sede de “A Tribuna”. Ambos entre 1970 e 1972. No primeiro, em um domingo, com fim de semana de sol, lá íamos eu, Anésio Borges, o fotógrafo, para a Via Anchieta, fazer o movimento da volta à São Paulo.
Na altura de Cubatão, o Waltinho, nosso colega que conduzia o Fusca, olhou no retrovisor e disse: “vai bater”. Não tive tempo nem de olhar para trás e o ônibus, carregado de turistas de fim de semana, arrastou o nosso VW 1.300 para debaixo de um caminhão.
Foi bem próximo de onde estava uma viatura da Polícia Rodoviária (acreditem, naqueles tempos a PR exercia vigilância nas estradas) e seus integrantes logo só aproximaram.
– Coitados, desse aí ninguém escapou!
Disse um dos policiais, diante do estado em que ficou o Fusca do jornal (o seguro deu perda total). Felizmente ele estava errado. Nós três estávamos vivos, apesar de ferimentos. Eu saí com problema na coluna e fiz fisioterapia durante três meses. E acho que algumas dores que sinto vez por outra são resultado daquele acidente. O Waltinho, marido da dona Conceição, que depois virou fotógrafo no jornal, tamanha sua grande paixão pela fotografia.
Mas, o que mais marcou o acidente foi a reação do Anésio Borges. Ele bateu com a cabeça no para brisas que quebrou e feriu sua testa, cobrindo seus olhos de sangue.
– Chiquinho (ele me chamava assim) estou cego. Eu sou fotógrafo, como vou sustentar o Francisquinho (um dos filhos dele, meu xará)? Lembro que todos em volta ficaram emocionados. Até que o motorista do caminhão atingido pelo Fusca, chegou com um pequeno tonel de água e lavou o rosto Anésio que voltou a enxergar. E pulava de alegria, acompanhado pelos que nos cercavam, inclusive eu, apesar da dor nas costas.
O nosso acidente, provocado por um motorista que trafegava acima da velocidade pedida pelo movimento da estrada (sabem, aquele dia em que tudo está parado?), dirigia um ônibus com freios deficientes e pneus sem condições de rodar.
Não sei o que aconteceu com relação às medidas legais, pois para o Borges, Waltinho e para mim, o que mais importava era que estávamos vivos, apesar da “profecia” do policial rodoviário.

Este, no Litoral Sul
O Concurso de Bandas e Fanfarras, promovido pelo jornal A Tribuna, desde 1960, me levava, todos os anos, a visitar as cidades do Litoral Sul, começando por São Vicente, Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém, Cananéia e Peruíbe. Ia de escola em escola da região, que tinham bandas ou fanfarras, convidando-as a participar do concurso em Santos, idealizado e organizado pelo Evaristo Pereira de Carvalho, chefe da fotografia do jornal e apaixonado pelos conjuntos musicais escolares. Eu era o seu “ajudante de ordens” e recrutava os conjuntos musicais na região. Eles iam para Santos, do Litoral, do Interior de São Paulo e até de fora do Estado. Uma festa santista. E o Evaristo sorria de orelha a orelha.
Na volta de uma das viagens, em Peruíbe, com a missão cumprida, seguíamos tranquilamente por uma estrada de terra, quando, sem motivo aparente, a Rural Willys, ao entrar em uma curva, capotou, quase caindo dentro de um riacho à margem do caminho. E ficou tombado no lado do Zezinho, o motorista.
A única saída era pelo meu lado. Soltei o cinto de segurança (abdominal) e apoiei meus pés no volante da Rural. Como ele girou, meu pé escapou e atingi as costas do Zezinho, causando fratura de uma de suas costelas. Ele ficou dez dias em casa, mas voltou o trabalho em perfeitas condições.
Ainda bem que ele voltou e pode desmentir os boatos (fofocas) de que era eu quem dirigia a Rural no momento do acidente.
Desse escapei
Mais adiante, nos anos 90, por receber lições do pessoal do Campo de Provas da GM (já contei essa história aqui, mas sempre é bom relembra ensinamentos), escapei de um acidente da subida da Imigrantes (rodovia que liga Santos a São Paulo).
Como me ensinaram os amigos do CPCA, usei o ABS do carro, como se estivesse desviando de um obstáculo qualquer, pois o sistema permitiu que eu continuasse no controle do volante. O ABS não só diminui a distância de frenagem, mas principalmente, permite a dirigibilidade.

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